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| Arte: Happiness, Joep Buijs |
Ela começou a olhar para ele também.
Um tempo mais tarde, ele começou a fazer perguntas bobas. Só para puxar assunto.
Ela respondia e sorria. Suponho que começou a fazer perguntas bobas também.
E aí acho que eles trocaram olhares umas trezentas vezes em menos de uma hora.
O que me fez pensar no amor que existe antes de existir de fato:
Ele flui devagarinho e acaba ocupando pequenas lacunas, antes mesmo de ser pronunciado.
Antes do estômago embrulhar.
Como se o coração já soubesse dos próximos passos.
Como se ele, simplesmente, existisse para essas demonstrações.
Tipo quando você elogia alguém - personalidade, beleza, estilo.
Quando você diz bom dia para o porteiro.
Quando você lembra do seu amigo ao ouvir uma música que ele gosta muito.
Quando alguém corre para te abraçar depois de muito tempo distante.
E sei lá.
Existem milhares de outras situações.
Só me parece estranho a gente querer tanto personificar um sentimento grande demais.
Passar parte da vida tentando diminui-lo a uma só pessoa.
Quando o ele tá ali, sabe?
Trazendo um pouco de luz.
Para um mundo medíocre demais.

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