9 de jul. de 2016

(Preto e branco)

            
Arte: Departure Of The Winged Ship, Vladimir Kush

Tive o costume falho de imaginar que filmes que retratassem períodos antigos demais deveriam ser produzidos em preto e branco. Achava que seria outra maneira de tornar a história verossímel: a edição deveria ser equivalente ao desenvolvimento das câmeras na época suposta do roteiro. Só aí o telespectador poderia sentir-se como se estivesse no filme de fato. 
Isso porque jamais parei para pensar que a vida é colorida desde o princípio. Nunca tinha chego a essa óbvia perspectiva: há centenas de anos olhos muito semelhantes aos meus observaram coisas tão diferentes.
E isso é um pouco assustador: a forma como fotos alaranjadas me deixaram tão distante do passado. Demorei para perceber que não há barreiras entre os meus antepassados e eu. Por mais longe que estejamos em condições de tempo ou parentesco, ainda sou hoje um bocado do que eles deixaram. 
Contribuições históricas são imensuráveis e sou capaz de dizer que estou onde estou porque muita gente lá atrás tornou isso possível. Gente que começou guerras e revoluções, que resolveu colonizar novas terras e construir famílias. Gente que viu as mesmas cores, respirou nos mesmos lugares... Mas que virou pintura, fotografia preto e branco e história. 

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