5 de jul. de 2016

(Gaia)

      
Arte: Gaia, Geraldine Arata

Somos todos feitos de hidrocarbonetos, cadeias de quantidades diferentes, compostos que nos tornaram distintos. Repletos de ácidos nucleicos e água. Uma infinidade de átomos. Sei bem que não é porque pensamos de forma muito diferente que posso presumir ser superior. Não sou dona do mundo, animal meu, mas sei que posso torná-lo melhor para mim e para você. 
Não sei se minha presença lhe agrada, ou em que momento você percebeu minha existência. Se é que você sabe que existo, é claro. Não me sinto mal por isso, pois em grande parte de minha vida eu ignoro a existência de vocês, também. Esqueço que o ar que respiro é composto pela respiração de vocês. E como vocês são modificadores do mundo assim como eu, apenas em diferentes proporções. 
Não sei de meu destino e tampouco sei se você aproveita sua vida tanto quanto eu. Só sei que temos algo em comum: viemos de uma bactéria, como se é gentilmente aceito pelos cientistas. E o mundo inteirinho é a casa de todos nós. Por isso, devo tratar-lhes com a mesma paz que desejo possuir. 
Gosto de saber que, não muito distante de mim, há insetos e plantas, que embora existam, não sabem disso. Não tem noção da imensidão que é o planeta onde habitam. O que não é problema algum, pois eu mesma me esqueço disso de vez em quando. 
Queria de alguma forma poder dizer para que vocês aproveitem a vida que tem e receber comentários como retribuição. Quem sabe o que poderíamos aprender uns com os outros? Pediria perdão, também, por tanta destruição. Por agir sem pensar tantas vezes. Mas as coisas são do jeito que são e é provavelmente por isso que tudo é tão especial e único.

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