| Arte: Multiple personality paintings, Margarita |
O tempo, para os perdurantistas, é tratado como uma quarta dimensão, que, na minha opinião, seria tão corpórea quanto o mundo físico que conhecemos, caso pudéssemos de fato observá-lo. Os filósofos perdurantistas creem em partes temporais, o que significa que somos uma só pessoa, mas uma parte de cada vez. E o que seriam "partes temporais"? Basta imaginar um cilindro, sendo que cada rodela dele representa uma parte temporal, enquanto o sólido seria a junção de todas as partes temporais de uma pessoa. Existem muitas dúvidas quanto a isso: que objetos, exatamente, seriam compostos de partes temporais (seres humanos, organismos vivos de modo geral ou o universo como um todo)? Quanto tempo dura uma parte temporal? Particularmente, acho que essas perguntas não são essenciais à questão. O que importa é o fato de uma teoria conseguir, à seu próprio modo, sanar dúvidas sobre o comportamento do eu - seríamos de fato a mesma pessoa durante toda a nossa vida, ainda que mudemos de átomos, fluídos e pensamentos com grande frequência?
O perdurantismo une essas duas perspectivas inicialmente contraditórias. Ele concorda que somos a mesma pessoa sempre e concorda também que não somos organismos imutáveis. E talvez a crença em partes temporais seja uma bela explicação para situações cotidianas, tais como a mudança de banda favorita, a falta de contato com um amigo, a desistência de um curso da faculdade, etc. Situações como essas não teriam acontecido meramente porque "pessoas mudam", mas sim porque "estamos em uma parte temporal diferente agora".
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